sábado, 19 de outubro de 2013

Rainy day, go away...

O Sábado acordou cinzento.
Chora, agora, como uma criança birrenta e acende o céu com a sua ira, bradando com voz de trovão.
Lá fora, deve já espalhar-se o cheiro a terra molhada, aquele odor carregado de melancolia que sempre associo a dias de perda.
Antes da chegada da chuva, cruzei-me, esta manhã, com uns quantos habitantes desta cidade que ora me dá guarida. Passaram por mim, em passo apressado - talvez a antever a borrasca -, carregando o saco das compras numa das mãos e segurando, com a outra, a mãozinha delicada dos seus filhos.
Talvez não saibam a sorte que têm. Ou talvez saibam e exibam aquela expressão de banalidade para trancar as portas à inveja alheia.
Com um fim de semana de trabalho à porta, com a promessa pérfida de mais uma semana sem ter o abraço dos meus, imponho-me fazer um esforço relativizador, porque, sem ele, dezasseis horas de trabalho diárias, e (mais) cortes, e distância, e saudade... serão demasiadamente esmagadores.
É no consumo de trufas e bolachas que leio a dimensão daquilo que vai cá dentro e que já nem se apazigua através da expressão furiosa que vou exibindo àqueles que, diariamente, teimam em não emprestar um minuto à competência e, dessa forma, tornam ainda mais penoso o que, por natureza, já mais não seria do que caos.
Farta.

1 comentário:

Gelado de Pitanga disse...

Só não te fartes de escrever! Devias faze-lo mais, já que o fazes, sempre, tão bem!!!