Esta tarde, numa pequena pausa que, por razões de "baixa tensão" corporal, fui obrigada a fazer, fui ao café que serve grande parte dos magistrados, funcionários e demais pessoas que, por qualquer motivo, se deslocam ao Tribunal.
Ali, enquanto aguardava uma tosta mista e um galão, desfolhei uma das várias revistas cuja leitura, no dito estabelecimento, é propiciada aos clientes.
Numa das páginas, podia ler-se, em grande destaque e como título de um artigo, a seguinte frase: "Deus está nos pormenores".
Qualquer coisa nesta frase me tocou, me despertou, me arrepiou.
Simultaneamente, fiquei com a ideia de que algo nela me parecia "familiar".
Já na protecção do lar, dedilhei o teclado do computador, escrevendo aquela frase.
Seria a frase corrente?
Logo percebi que a expressão em causa é, recorrentemente, utilizada.
Mais. Descobri que, a frase, na sua origem, é "Deus está no pormenor" e que a sua autoria é atribuída a Aby Warburg, o fundador da iconologia e principal mestre de Erwin Panofsky.
Em todo o caso...
Para quem, como eu, atende, ou procura atender, em todas as situações, ao pormenor... A frase não deixa de assumir um significado algo tocante.
Nunca entendi a expressão "isso são apenas pormenores", pois o meu sentir é que são, precisamente, os pormenores que, em grande parte das situações da vida, fazem a diferença. Toda a diferença.
Nas coisas sérias e nas coisas mais lúdicas, o pormenor é relevante.
Assim, nas situações que, diariamente se me colocam, em termos profissionais, estou em crer que a análise do caso, de cada caso, com as suas particularidades, com as suas diferenças em face aos demais casos ainda que, de certa forma, similares, não deixa, não pode deixar, de constituir um imperativo.
Se assim não fosse, bem podiam programar-se umas máquinas para produzirem as decisões.
Era, certamente, mais barato, e a celeridade - esse valor que, confesso, também deverá ser atendido - saía, claramente, beneficiada.
Também nas situações mais lúdicas da vida...
Nessas... o pormenor é tudo.
Adoro o pormenor, porque o pormenor enriquece as coisas mais simples.
Torna-as únicas e especiais, confere-lhes imponência.
Dá-lhes um certo carácter de divindade.
Definitivamente...
Deus está no pormenor.

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