No calendário litúrgico, o dia de São Martinho celebra-se a 11 de Novembro, data em que este Santo, falecido dois ou três dias antes, em Candes, no ano 397, foi a enterrar em Tours, França.
São Martinho é o primeiro dos Santos não Mártires e foi, durante toda a Idade Média, um dos mais populares de França, atentas a sua generosidade e humildade, aliadas a uma enorme fama de milagreiro. O seu túmulo, abrigado desde o século V por uma Basílica em Tours, sucessivamente destruída e reconstruída, foi o maior centro de peregrinação da Europa Ocidental.
Em 2005, São Martinho foi reconhecido pelo Conselho Europeu como "personnage européen, symbole du partage".
O facto de o seu dia coincidir com a época do ano em que se celebra o culto dos antepassados e com a altura do calendário rural em que terminam os trabalhos agrícolas e se começa a usufruir das colheitas, conduz a que a festa deste Santo se traduza nalguma exuberância.
Com efeito, em Portugal, o dia de São Martinho é invocado nas cerimónias religiosas nos locais de culto, e o seu espírito de solidariedade lembrado, nem que seja através do relato do episódio da partilha da capa com um pobre [conta a lenda que, num dia gélido, um soldado romano chamado Martinho estava a caminho da sua terra natal quando encontrou um mendigo cheio de frio que lhe pediu esmola. Martinho rasgou a sua capa ao meio e deu uma das metades ao mendigo. Repentinamente, o frio cessou e o tempo aqueceu, associando-se este acontecimento à recompensa de Martinho, por haver sido bom para com o desvalido], mas, de resto, genericamente, as pessoas ocupam-se a assar castanhas e a provar o vinho novo, produzido com a colheita do ano anterior.
Por não gostar particularmente de castanhas assadas, nem de vinho, não costumo celebrar o dia de S. Martinho. Ontem, porém, fomos jantar a casa de uns queridíssimos amigos, e acabou por cumprir-se o ritual de assar um tabuleiro de castanhas. Estas, não provei, mas bebi abundantemente da companhia e da conversa, que se estendeu pelo início do dia de hoje!
Em todo o caso, e para não deixar passar a data "em branco", este ano decidi adaptar ao gosto cá de casa a forma tradicional de festejo, e compus, com castanhas, avelãs, pinhas e velas, um arranjo que pode servir como decoração de uma cómoda, consola ou aparador, ou, mesmo, como centro de mesa.
As castanhas servirão para os meninos levarem para o Colégio no dia de amanhã, pois têm magusto agendado!

