Meu querido Menino Jesus, caríssimo País que me viste nascer:
Neste dia tão especial (igual aos outros) quero agradecer-vos do fundo do meu coração.
Nem todos têm a sorte de reunir em si todas as condições para, ainda que viessem a ser assolados por algum desejo incontrolável de, uma vez na (p...) da vida, gozarem alguns (poucos) dias de férias, descansados e despreocupados, não poderem fazê-lo.
Obrigada pela falta de saúde e pela absoluta exaustão que eu sinto.
Obrigada pelos quase 400 "docinhos" com que ocupar os meus dias (e noites) e com os quais "queimar" os últimos "cartuxos" da minha (já quase inexistente) saúde. Pelo menos, de falta de ocupação, não posso queixar-me, sei que o ócio é o pai de todos os vícios.
Obrigada (País) pela indisponibilidade financeira que me deste e que me impede de ir, sequer, para a praia da Costa da Caparica (ou "de Caparica", que é mais "fino"), porque o preço do gasóleo também não está "para meninos", embora eu sinta particular afeição pelas filas da rebaptizada Ponte 25 de Abril. Estou também ciente de que a segunda prestação do IMI me espera em Setembro e não posso desapontá-la. A constante preocupação com a felicidade alheia.
Ajuda, também, a (recorrente) indisponibilidade familiar para gozar férias no verdadeiro sentido da palavra.
Sem estas condições que me proporcionam, não saberia o que é ser completa (completamente triste) e sei que se esforçam por me dar diariamente aquilo que, sem V. Exc.ªs, nem mesmo EU, que tenho particular talento para a autoflagelação e ausência de instinto de sobrevivência, lograria alcançar.
Obrigada por todas as escolhas erradas que venho fazendo e pela presença de espírito que me dão para continuar a fazê-las (e a mantê-las), pelo menos, enquanto a saúde (residual) não me falhar por completo.
Bem hajam.
Cumprimentos cordiais desta serva sempre ao vosso dispor, (...)

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