sexta-feira, 12 de março de 2010

Algo de profundo vindo do mesmo café da frente

Naquele mesmo café onde diariamente se passam aqueles episódios mais ou menos pitorescos a que por vezes tenho feito referência neste blog, acabei de assistir a um diálogo que deixou o meu interior fracturado em pedaços tão minúsculos que não consigo dizer.

A conversa estabelecia-se entre o dono do estabelecimento (a quem chamam Professor, não sei o que o senhor faz) e uma senhora de idade que, ao que julgo saber, foi professora primária.

A certa altura, oiço a senhora dizer, com a voz embargada: "- Olhe, neste momento, eu sinto-me a pessoa mais infeliz do mundo".
(silêncio)
"- Digo-lhe que me sinto a pessoa mais infeliz do mundo, pois eu já fui muito feliz, com o meu marido e com o meu filho".

Aquela senhora, ao que sei, perdeu, no último ano, precisamente, o marido e o filho.

Silêncio, é o que sinto dentro de mim.

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