- Conta o resto da história, e não
te preocupes. Eu sei que as coisas mágicas têm sempre um lado triste, mas é por
isso que são bonitas. Porque como têm tristeza e alegria, nós nelas podemos
aprender a verdade da vida (Pedro
Sena-Lino, in "A Árvore que não sabia sentir", Booklândia, Maio
2012).
Amo os livros desde que me recordo de
existir.
Primeiro, tê-los-ei, tão-só, folheado, absorta
nas suas ilustrações, mas cedo formulei o desejo de saber lê-los e conhecer
todas as estórias que guardam dentro de si e anseiam por partilhar. Na verdade,
fui criada com um primo que tem mais dois anos do que eu, o qual me deixou
sedenta de conhecimento logo que entrou para a, então, primeira classe.
Lembro-me de passar horas serenas e prazeirosas
a ler as estórias de Anita, d' O Polegarzinho, d' O
Patinho Feio, d' A Vendedora de Fósforos... E de me emocionar,
igualmente, a cada vez que as relia.
Os Natais e aniversários tinham um gosto
especial quando traziam consigo livros das colecções que, em cada ano, estava a
fazer. Recordo-me particularmente do dia do meu 13.º aniversário, data em que
fui acordada com um beijo ternurento da minha mãe e um pacote muito especial
pousado em cima de mim, recheado com mais de metade dos volumes da colecção
Uma Aventura, das portuguesas Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Não
negando estar em causa a leitura algo tardia daquela obra, a verdade é que a
mesma passara a ser uma referência no panorama da literatura juvenil em
Portugal, e eu não quis deixar de conhecê-la.
Bem antes disso, lera toda a colecção d'
O
Colégio das Quatro Torres, d'
As Gémeas no Colégio de Santa Clara
e d'
Os Cinco, todos da genial
Enid Blyton. Não raras vezes,
imaginava viver as aventuras das personagens que idolatrava. Durante as férias,
desfrutando da visão do luar derramado sobre a baía de Sesimbra, imaginava que
as luzes intermitentes que se viam no mar traduziam a sinaléctica própria de
raptores ou contrabandistas, cujos planos malévolos eu, coadjuvada por amigos de
grande coragem, ajudaria a aniquilar.
Aos catorze anos, apaixonei-me pela
obra de Alice Vieira, dedicando-me febrilmente à leitura d'
Os Olhos de Ana
Marta,
Chocolate à Chuva,
Viagem à Roda do Meu Nome,
Rosa, Minha Irmã Rosa, e tantos outros, que, estou certa, ainda fazem
parte do imaginário de muitos dos leitores da minha geração. A designação de um
dos meus blogues,
Lote 1 -
1.º dto, foi, precisamente, inspirada no título de um dos livros desta
grande escritora:
Lote 12, 2.º frente.
Como uma adolescente
absolutamente normal, voltei a apaixonar-me muitas e muitas vezes.
Mulherzinhas, de Louise May Alcott.
A Menina Insuportável, da
Condessa de Ségur.
Le Petit Prince, de Antoine de Saint-Exupéry, este,
ainda, uma referência nos meus dias.
Apartada, durante alguns anos, da
literatura infanto-juvenil, reencontrei-a de uma forma algo curiosa: através do
fenómeno mundial
Harry Potter. Talvez, na altura, estivesse demasiado
cansada de "muggles", pelo que me voltei para a magia!
Depois de ter sido
mãe, assumi em pleno a missão de procurar incutir, nos meus filhos, o gosto pela
literatura e, admito, eu própria me deleito com as leituras que faço para eles.
O que me agrada, em particular, nas estórias para crianças e jovens é a
emotividade que, em geral, expressam, bem como o facto de alertarem o leitor
para o substrato ético que deve ser cultivado no ser humano.
Neste meu
propósito de conduzir os petizes pelos caminhos das palavras, tenho descoberto,
em conjunto com eles, obras ternas e enriquecedoras, de entre as quais, sem
qualquer pretensão de exaustão, destaco:
Adivinha o Quanto Eu Gosto de
Ti, de Sam McBratney,
A Grande Fábrica das Palavras, de Agnès de
Lestrade,
A Gigantesca Pequena Coisa, de Beatrice Alemagna,
A Mãe
que Chovia, de José Luís Peixoto e
O Primeiro Passo, de Orianne
Lallemand.
Ler, ler, ler sempre. Ler sempre mais. E aprender, na magia dos
livros, a verdade da vida.