Esta semana que passou foi mesmo do pior.
O atafulhanço do gabinete é impróprio para consumo, nem que seja moderado.
A preocupação e a angústia com os resultados disso é... indigesta, no mínimo.
Mas pior, pior...
São mesmo as pessoas.
As pessoas.
Há as que podemos evitar que nos rodeiem. Pelo menos, se não nos virem, pode ser que não nos prejudiquem. Tanto. E depois há aquelas de que não nos podemos, pelo menos de uma forma mais ou menos imediata, livrar-nos.
Claro que podemos sempre pedir "A" intervenção Divina, mas feliz ou infelizmente, não costuma ser atendida.
Cada um tem a sua cruz.
Mas convenhamos que o mundo, este país, em particular (pois que me estou marimbando para o resto, sem desprezo associado), precisava de uma limpeza a sério.
Entre puros fofoqueiros, pulhas verdadeiros e invejosos com ou sem motivo, havia de os limpar um terramoto à escala do Haiti.
Selectivo, como é bom de ver. Cirúrgico.
A inveja é, para mim, o mais temível dos defeitos.
Penso que me fui tornando, ao longo dos tempos, mais e mais fechada, porque a vida me tem revelado tristes surpresas neste capítulo.
E se foram surpresas!
Há pessoas relativamente às quais me bati, durante anos, pugnando pela sua inteira inocência neste capítulo.
E olá se me enganei!
É um tema feio.
Daqueles a que se não quer dedicar um post.
É um assunto de que se evita falar, que cria mau estar.
Eu, já tenho falado dele com uma Amiga que sei ser (e talvez perceba porquê, embora não o ache admissível a quem se pretenda boa gente...) muito brindada com a inveja mesquinha, talvez porque partilhemos, em grande medida, de uma mesma forma de estar na vida.
Mas, admito, é um assunto difícil e feio, muito feio.
A inveja é fonte de muitos males e, como costuma dizer-se... mata.
Só não sei se mata os invejosos ou os invejados, o que me deixa algo angustiada, confesso.
O pior da inveja, é que aqueles que a sentem, normalmente, não têm motivos efectivos para isso.
E isso é mesmo o que me deixa mais lixada.
É que, para além de terem o enorme defeito, a mais fecunda imperfeição de serem invejosos, aqueles que o são, (a)cumulam, normalmente, a mais encapotada estupidez, traduzida na incapacidade de percepcionarem que, tudo visto e ponderado, não têm, de todo, afinal, razões para invejar as outras pessoas.
E então aqueles espécimes que se dizem indiferentes a bens materiais e outras coisas que tais, e depois... quando falam é clarinho como a água!
E então aqueles espécimes que se dizem indiferentes a bens materiais e outras coisas que tais, e depois... quando falam é clarinho como a água!
Os poucos que lêem os meus fastidiosos ainda que pequenos escritos, deverão estar a pensar: "- Mas a que propósito vem isto agora?!".
Eu dou-vos umas luzes.
Não foi só a semana que passou e a confirmação de que a maior parte dos que vegetam por estes lados da suposta lezíria são, de facto, uns cretinos.
Pergunto-me por que razão se não ateem às suas vidinhas e, invariavelmente, apenas consigo encontrar uma de duas explicações, cada uma delas mais deprimente do que a outra: a) maldade pura ou, b) falta de qualquer coisa minimamente interessante nas suas tristes existências que os afaste de tais pecados.
Mas não foi só isso.
Ontem soube, por aí, de umas novidades, que me fizeram, finalmente, alegrar um pouco.
Bem, desde logo, porque são boas novas para os visados e, como não me alimento da desgraça alheia, não consigo ficar infeliz com o bem das outras pessoas.
Antes pelo contrário. Principalmente quando sei que é merecido.
Antes pelo contrário. Principalmente quando sei que é merecido.
Por outro lado...
De repente, passou-me pela cabeça a ideia de que, também para mim, poderia dali advir benefício. Sei que não fui grandemente altruísta, mas não consegui evitar.
Pelo menos, sou honesta.
É que, de repente, pensei que, com tal ponte dourada - e que ponte, que salto - em vista, subitamente, o poder da inveja - e inveja totalmente sem fundamento, diga-se, sublinhe-se, grave-se sobre couro verdadeiro - poderia diminuir e, por uns momentos, pacificar-se a minha existência.
Deixarem de me correr de forma tão adversa as coisas.
De ser sempre tudo tão difícil de alcançar.
Ter um daqueles "almoços grátis" que o Insígne Professor diz não existirem.
Só porque alguns se convenceram de que me banho delicadamente num mar de rosas.
Só porque alguns se convenceram de que me banho delicadamente num mar de rosas.
A propósito, e porque não gostava de jamais escrever um post sobre tão enjoativa temática, recolhi, de modo breve, umas citações que não podem deixar ninguém indiferente (só, porventura, os invejosos, se acumularem a falta de autocrítica)...
A nossa inveja dura sempre mais tempo que a felicidade daqueles que invejamos
Fonte: "Máximas"
Fonte: "Máximas"
Autor: La Rochefoucauld , François
Os ataques da inveja são os únicos em que o agressor, se pudesse, preferia fazer o papel da vítima
Fonte: "Pensamentos e Reflexões"
Fonte: "Pensamentos e Reflexões"
Autor: Zamora , Niceto
A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas
Autor: Cervantes , Miguel
Autor: Cervantes , Miguel
A inveja é o mais estúpido dos vícios, pois deste não se obtém nenhuma vantagem
Autor: Balzac , Honoré de
A inveja que fala e que grita, é sempre desastrada; a inveja que se cala, é a verdadeiramente temível
Autor: Rivarol , Antoine
A inveja é tão vil e vergonhosa que ninguém se atreve a confessá-la
Autor: Cajal , Ramón
O ódio pode ser desarmado pelo amor e acabar por esquecer; mas a inveja às vezes nem se detém à beira da sepultura
Autor: Cajal , Ramón
Autor: Cajal , Ramón
Evitamos a inveja se guardarmos as alegrias para nós próprios
Autor: Séneca
E Nietzsche, a causticar, como não poderia deixar de ser...
Eis um invejoso; não lhe desejeis filhos; teria ciúmes deles por já não poder ter a sua idade
Fonte: "A Gaia Ciência"
Fonte: "A Gaia Ciência"
Autor: Nietzsche , Friedrich
As citações seriam infindáveis, porque o vício parece ser daqueles que existe desde o princípio dos tempos.
Uma coisa vos digo,
Apesar de todas as minhas agruras,
Sinto-me, no final de tudo, tão bem por conseguir, de coração, elogiar os outros, seja em que matéria for;
Por saber reconhecer quando outra mulher é linda e dizer-lho com toda a admiração, sem que ninguém mo pergunte;
Por, perante o sucesso profissional dos demais, apenas ficar a pensar o quanto eu gostava de ser melhor do que realmente sou e de corresponder mais às expectativas, começando pelas minhas;
Por, perante os bens materiais alheios de que gosto, e perante o bom gosto dos que me rodeiam, apenas conseguir alimentar a alma, como espelho dos meus olhos, e desejar aprender a cultivar, da mesma forma, o bom gosto, com os recursos que vou tendo.
Enfim, até feliz por saber que, como escreveu La Rochefoucauld,
O indício mais seguro de se ter nascido com grandes qualidades é ter nascido sem inveja
P.S.: Como não poderia permanecer animada por muito tempo com a ideia, o M. logo me disse para não me entusiasmar demasiado, pois que, parece que quem nasce invejoso, por muito sucesso que tenha, nunca deixará de o ser. Dá para acreditar nisto?!
Sabem que mais?...
Tenho escrito.


1 comentário:
Para me defender, tento passar ao lado, quase fingir que não existe. Não é fácil nem sempre é possível! "...quem não se sente não é filho de boa gente..."
Posso dizer que tenho um punhado de Amigos que sei que o são, e com tal não invejam. Temos assim o único aspecto positivo deste horrendo defeito, valorizarmos quem não o tem.
Apenas duas considerações mais àcerca deste pecado, mobil de muitas desgraças...
1. Acredito que como os demais vícios, pode saciar mas não traz felicidade
2. É aguçado por outro pecado, o da vaidade... temos mesmo de seleccionar com quem partilhamos as nossas alegrias
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